sexta-feira, setembro 23

Aluno atira em professora e comete suicídio.

Posted by Jackson Souza on 15:42 | No comments

Aluno de 10 que atirou na professora e se matou
Pais do garoto saem para a delegacia sem falar uma palavra.
   
     A professora baleada por um aluno de 10 anos dentro da sala de aula de uma escola de São Caetano do Sul, no ABC, nesta quinta-feira (22), teve alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas de São Paulo no início da tarde desta sexta (23). Segundo o HC, Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, já está no quarto e seu quadro de saúde é estável. Ela está consciente e conversando. Ainda de acordo com o hospital, Rosileide passou por uma cirurgia da noite desta quinta-feira que durou três horas para a retirada de um projétil na região abdominal.
Nesta quinta, o funcionário público Luiz Eduardo Hayakawa, namorado de Rosileide, a visitou no Hospital das Clínica. Ele disse ao G1 que ela descreveu o autor do disparo como "um aluno exemplar, tranquilo, quieto, que tirava boas notas".
      Na Escola Municipal Alcina Dantas, as aulas continuavam suspensas nesta sexta-feira. A escola amanheceu fechada e não deverá haver atividades ao longo do dia. As aulas só devem retornar na quarta-feira (28). Na sala de aula havia outras 25 crianças do 4º ano do ensino fundamental. O motivo do crime ainda é desconhecido.

Velório     O corpo do estudante David Mota Nogueira começou a ser velado às 23h30 desta quinta-feira no Velório Municipal do Cemitério das Lágrimas, em São Caetano do Sul. O enterro está previsto para as 16h desta sexta-feira.

Namorado diz que professora baleada não se queixava de aluno

O namorado da professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, baleada quinta-feira (22) por um estudante de 10 anos em uma escola de São Caetano do Sul, ABC, disse que ela descreveu o autor do disparo como "um aluno exemplar, tranquilo, quieto, que tirava boas notas". O funcionário público Luiz Eduardo Hayakawa visitou a namorada na noite da quinta, logo após ela deixar o centro cirúrgico.
Rosileide estava, no fim da manhã desta sexta (23), na UTI do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Na noite de quinta, ela passou por uma cirurgia para retirada do projétil, que ficou alojado na região da bacia. "Felizmente não acertou nenhum órgão", diz o namorado. "Ontem [quinta-feira], ela estava bem, tranquila, conversando", afirma.
Antes do encontro com a namorada, Hayakawa chegou a dar entrevistas dizendo que o aluno tinha mau comportamento. "Ela sempre reclamou de um Davi, e quando eu vi as notícias, achei que fosse ele [o aluno que se matou]. Mas quando eu disse que era Davi, ela ficou impressionada", relata Hayakawa, admitindo ter feito confusão com os nomes iguais.
O perfil relatado pelo namorado da professora é confirmado por colegas e vizinhos de Davi Mota Nogueira, que é descrito como uma criança muito tranquila, educada e quieta. Segundo vizinhos ouvidos pelo G1, ele era “na dele”, de poucos amigos, ficava mais em casa, saía praticamente só para ir para a escola e para a igreja com os pais.
"Ele era quieto, na dele", conta a estudante do 5º ano Beatriz dos Santos, de 10 anos, que fazia aulas de educação física com Davi - que estava no 4º ano. Sobre Rosileide, ela descreve: "Ela é chata com quem bagunça, mas era boa professora".
A vizinha Valderes Sanches, que mora no mesmo bloco que a família de Davi, em um prédio de São Caetano do Sul, diz que está em choque. “Era super educado, de uma educação raríssima, uma excelente criança. Não saía para brincar nas áreas do prédio, não tinha nada para falar de ruim dele. Era quietinho, de poucos amigos, só saía para ir para a igreja e para a escola. Nunca vi ele aqui embaixo solto".

Larissa Natalie Caetano (dir.), colega de sala de
Davi, ao lado da mãe (Foto: Juliana Cardilli/G1
)
Larissa Natalie Caetano da Silva, de 10 anos, que era colega de sala de Davi, confirma que ele era bom aluno. “Ele era quieto, sempre tirava nota boa. Era legal, engraçado, não era agressivo. Era bem normal. Fazia as lições direito, a professora nunca brigava com ele". Ela presenciou a agressão do aluno dentro da sala de aula: “Na hora que estourou, eu achei que fosse uma bomba. Não sabia que tinha atirado na professora, só vi ela cair. Depois ouvimos outro barulho, saíram e viram ele na escada".


Arma usada por aluno em escola pertence ao pai dele, diz prefeitura

A arma utilizada pelo aluno de 10 anos que atirou dentro da sala de aula em São Caetano do Sul, no ABC, na tarde desta quinta-feira (22), pertence ao pai dele, segundo informações do secretário da Segurança Pública do município, Moacyr Rodrigues. Embora o pai seja guarda-civil municipal, no entanto, o revólver era particular, e não da corporação.
O estudante da Escola Municipal Alcina Dantas Feijão atirou na professora por volta das 16h, e depois disparou contra a própria cabeça. Ele havia acabado de sair do intervalo, quando pediu para ir ao banheiro. Na volta, chegou atirando. De acordo com a Prefeitura, os dois foram socorridos com vida, mas o estudante David Mota Nogueira morreu. A professora, identificada como Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, deixou a escola consciente. No momento em que o menino do 4º ano usou a arma, havia 25 estudantes na classe.
O secretário da Segurança de São Caetano do Sul disse que quando um guarda-civil sai com a arma para trabalhar ele a devolve no final do expediente. "[O pai do garoto] é um homem de bom conceito dentro da Guarda Civil, com mais de 14 anos dentro da corporação", disse Rodrigues, acrescentando que esta "é uma situação muito difícil de descrever".
De acordo com Rodrigues, todos os guardas-civis da cidade foram alertados para que ficassem atentos à possibilidade de armas em escolas desde que um estudante matou 12 alunos em Realengo, no Rio de Janeiro, em abril. "A segurança da escola já é feita, esse tipo de situação não tem como prever", afirmou o secretário.
As aulas na escola foram suspensas nesta quinta e na sexta-feira (23). A Prefeitura afirmou que o menino era considerado um aluno calmo e sem histórico de violência. O motivo para o crime ainda é desconhecido.
ArmaO delegado-titular da Delegacia-Sede de São Caetano do Sul, Francisco José, disse que o pai do garoto pode ser responsabilizado criminalmente pelo ocorrido. "Vamos investigar se ele agiu com imprudência ou negligência na guarda desta arma", afirmou.
A polícia ainda não sabe quando ouvirá o pai do estudante, que está abalado emocionalmente com a morte trágica do filho. O delegado informou, no entanto, que irá procurar famílias de outros alunos da escola e que duas testemunhas adultas serão ouvidas já nesta sexta-feira (23).
O estudante usou um revólver calibre 38 que pertence ao pai, um guarda-civil municipal. De acordo com a polícia, o garoto entrou com o revólver na mochila.

 

Polícia pedirá ajuda a psicólogos para ouvir colegas de aluno morto no ABC

A Polícia Civil em São Caetano do Sul, no ABC, vai pedir a ajuda de psicólogos para ouvir os alunos que viram um colega de classe atirar numa professora e se matar em seguida na escola onde estudava, na tarde de quinta-feira (22). Isso só deverá ocorrer a partir da próxima semana. O estudante David Mota Nogueira, de 10 anos, baleou a professora Rosileide Queiros de Oliveira, de 38 anos, dentro de uma sala de aula da 4ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Alcina Dantas. Em seguida, ele disparou contra a própria cabeça e morreu.

O motivo do crime ainda é investigado, mas não está descartada a possibilidade de o aluno ter sido vítima de bulluying. Também será apurado se a educadora recebeu alguma ameaça do garoto.

De acordo com o delegado titular do município, Francisco José Alves Cardoso, as quase 25 crianças da escola ficaram abaladas com o que presenciaram e por esse motivo ainda não têm condições psicológicas de prestarem um depoimento. O caso é apurado pela delegada Lucy Mastellini Fernandes, do 3º Distrito Policial de São Caetano.

 “A polícia vai ouvir todas as crianças da sala do David na condição de testemunhas. Lamentavelmente elas estão chocadas com o que viram. Por esse motivo vai ser indispensável à presença de psicólogos e até mesmo psiquiatras para acompanhar o que elas têm a dizer”, afirmou o delegado Francisco Cardoso na manhã desta sexta-feira (23) ao G1.

“O que deixa a gente pasmo é a idade do autor: dez anos. E ele ainda se matou em seguida. Isso não é comum para uma criança de dez anos. Estamos apurando a motivação do crime. Será investigado se o aluno sofreu bullying e quis se vingar ou professora sofreu ameaça”, disse o delegado.

Segundo os investigadores do 3º DP, alguns colegas de classe relataram informalmente que David estaria sofrendo humilhações porque teria algum defeito físico. “Falaram que ele seria manco e por isso tiravam sarro dele”, confirmou Cardoso.

Em relação à professora Rosileide, o delegado afirmou que a polícia irá ouvi-la também, nem que seja no Hospital das Clínicas em São Paulo onde ela está internada. A bala que atingiu a mulher pelas costas teria ficado alojada na região lombar. Ela não corre risco de morrer.

Perfil psicológicoNo entendimento da investigação policial, o mais importante no momento é traçar um perfil psicológico de David para entender o que o levou a atirar na professora. “Tivemos informações de que o aluno não gostava da professora porque ela seria rígida e ele tímido, mas não é uma informação concreta”, disse o delegado Cardoso.

O revólver calibre 38 usado para atirar na professora e que David usou contra ele, mais o desenho feito pelo aluno, retratando ele segurando duas armas e um professor, e que estava dentro de uma mochila, serão periciados. “Psicólogos terão de ver esse desenho para tentar nos dizer o que pode ser interpretado dele, saber se sofria de depressão etc”, afirmou Cardoso. “Como aluno ele era regular, com notas 5, segundo o boletim escolar”.

Colegas de classe de David relataram à polícia que o garoto era tímido. Uma outra informação que chegou à investigação será apurada. “Os investigadores contaram que a mãe do menino teria dito que o filho chorou ao falar algo relacionado à morte no último domingo [18]. Precisamos saber o que é isso exatamente”.

Pai será responsabilizadoA arma usada por David é do pai dele, o guarda-civil municipal Milton Evangelista Nogueira. Em conversa informal à polícia, ele relatou que notou a falta do revólver particular e foi à escola dos filhos atrás dele. Mas tanto David quanto o outro filho, de 14 anos, negaram ter pego a arma. Quando foi embora em direção a uma delegacia para registrar a ocorrência do sumiço do revólver soube que o filho mais novo havia atirado na professora.

David havia entrado na escola com a arma escondida dentro da mochila. Depois pediu para a professora para ir ao banheiro, quando voltou à classe, apontou o revólver para Rosileide e atirou nela. Em seguida, foi para uma escada e atirou na própria cabeça. Houve correria entre alunos e funcionários da escola.

O guarda Nogueira será responsabilizado por ter deixado a arma ao alcance de David e por não tê-la guardado em lugar seguro, segundo Cardoso. “Ele irá responder criminalmente por negligência de acordo com a lei do desarmamento. Caso seja considerado culpado, a pena será de até dois anos de reclusão”, disse o delegado.

Para o delegado, o pai de David também deveria ser indiciado pela morte do filho e pela tentativa de assassinato da professora. “Mas quem irá decidir isso é a delegada do caso”, afirmou Cardoso.

Procurada nesta manhã, a delegada Lucy Fernandes afirmou que ainda apura as eventuais responsabilidades pelo crime e não poderia antecipar se o pai de David seria indiciado ou não. “O inquérito foi instaurado e tenho um prazo de no mínimo um mês para concluí-lo. Ainda é cedo para falar. O pai precisa ser ouvido, assim como a professora e os alunos”, disse Lucy ao G1.

As câmeras do circuito de segurança da escola serão analisadas pela polícia para saber se elas gravaram a ação de David. Pelo fato de ser criança, a delegada afirmou que o caso será levado posteriormente para um promotor e um juiz da Vara da Infância e Juventude.

O G1 não conseguiu localizar o guarda Nogueira para comentar o assunto. Na quinta ele não quis falar com a imprensa quando foi à delegacia. O corpo de seu filho será enterrado nesta tarde desta sexta em São Caetano do Sul. As aulas na escola foram suspensas temporariamente.

 Fonte: G1

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário

Atenção!
Ao comentar, escolha as palavras corretas para que seu comentário atinja seu objetivo, expor sua opinião sobre determinado assunto.
Os comentários passaram por moderação da redação e serão publicados, independente do seu conteúdo, caso o comentarista tenha uma identificação válida!
Obrigado por comentar!