sexta-feira, janeiro 27

Análise, afinal estamos ou não menos inteligentes?

Posted by Jackson Souza on 05:17 | No comments
   Análisemos nossa questionada inteligencia neste questionamento feito por Rosana Hermann aparti do comentário de Carlos Nascimento e reflita sua opnião.


CARLOS NASCIMENTO
"Boa noite. (Boa noite)
Olha, ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos ou nós nos tornamos perfeitos idiotas.
Porque não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro.
Primeiro um programa de televisão em que se  discute um estupro, que por si já é um absurdo,  negado pelos dois protagonistas.
Segundo, uma pessoa que ninguém conhece vira uma celebridade da mídia somente porque o nome apareceu milhões de vezes na Internet.
Luiza já voltou do Canadá e nós já fomos mais inteligentes."

Nascimento é âncora e editor-chefe do jornal, portanto, o texto é de sua autoria. Sua, dele. Ah, a língua portuguesa.
A primeira colocação de Nascimento oferece  duas alternativas para o telespectador.
(1)os problemas brasileiros estão todos resolvidos
(2)nós nos tornamos perfeitos idiotas.
Não caia nessa armadilha. Ele só deu duas opções, mas existem várias outras. Vamos ver o ponto de vista dele. Para Nascimento, as pessoas só podem falar de 'futilidades' depois que os problemas estiverem todos resolvidos. Ou seja, se o Brasil fosse a Suiça, poderíamos falar bobagens full time. Discordo.
Essa visão é, em primeiro lugar, linear. O pensamento linear é exatamente isso, uma linha, uma sequência ordenada de coisas. Primeiro você faz isso, depois você faz aquilo, como se a vida fosse uma linha do tempo ordenada. Um, dois, três, etc. Primeiro o Brasil resolve todos os seus problemas e depois falamos bobagem. Essa visão é antiga, pré-Internet pelo menos. Hoje nós fazemos várias coisas ao mesmo tempo (multitarefa). Navegamos na web com muitas abas abertas, vários programas, aplicativos. Assistimos TV com web, celular, tablets. Sim, sim, eu sei nem todo mundo tem. Mas mesmo assim, todo mundo faz tudo ao mesmo tempo. Não tem mais essa linearidade.
A segunda opção é cruel. 'Nós nos tornamos perfeitos idiotas.' Dá uma vontade louca de dizer que, pra começar, ninguém é perfeito. É quase como dizer que, se você não concordar com a única possibilidade que ele coloca, então somos idiotas. Foi mal, Carlos.
Continuando. "Porque não é possível que dois assuntos tão fúteis possam chamar a atenção de um país inteiro."
Aqui é uma figura de linguagem, claro. Porque se aconteceu é porque era possível. Vamos para a futilidade.
Discutir um reality show é fútil? Pode ser, pode não ser. Depende do ponto de vista. Mas discutir o que é estupro e o que não é, é muito importante. Pra toda sociedade. Justamente porque tudo está mudando tão depressa. Precisamos, o tempo todo, rediscutir e reaprender. É saudável e necessário.
Agora vamos para o 'Chamar a atenção de um país inteiro'. (sim, estou sendo velha e linear, ha!) Antes só a televisão podia fazer isso. Agora não. Agora o país inteiro pode chamar a atenção da televisão. Ele não está acostumado com isso. Mas é o que está acontecendo. A terceira onda, a via de mão dupla, que Alvin Toffler falou há tanto tempo, chegou. Agora o rabo balança o cachorro além do cachorro balançar o rabo. Sim, é possível e vai acontecer mais e mais. O povo vai continuar replicando o que a TV diz, mas a TV TAMBÉM vai ter que ouvir o que o povo elegou como assunto.
A parte final é a mais quente. 'Segundo, uma pessoa que ninguém conhece vira uma celebridade da mídia somente porque o nome apareceu milhões de vezes na Internet'.
'Uma pessoa que ninguém conhece'. Bom, todo mundo que é conhecido um dia já foi uma pessoa desconhecida, só pra ser chata mesmo. 'vira uma celebridade da mídia'. E qual o problema de 'virar uma celebridade da mídia'? Ah, é o motivo. 'Só porque seu nome apareceu milhares de vezes na Internet'. Exato. E ninguém tem CONTROLE sobre a Internet ou o desejo de seus usuários. É isso mesmo. Porque uma coisa aparece milhares, milhões de vezes. Mas isso não é 'só'. Isso É o poder. Não é por isso que a propaganda vive? Não é assim que a publicidade faz? Produz UM comercial e exibe-o sem parar, repetidamente, milhares de vezes, até que todo mundo tenha visto? Até que se torne conhecido? Isso não acontece todos os dias, o tempo todo?
Sim, eu entendo o desabafo do Nascimento. Para ele é uma coisa impossível, inaceitável, incompreensível, que o poder de decidir o que é ou não é assunto de momento, possa sair da mão da mídia e cair na mão da massa. Para um jornalista sério que quer trabalhar por um Brasil melhor, a facilidade com que uma brincadeira tomou o país de assalto é quase irritante. Eu entendo. É tão difícil mudar hábitos nacionais, como fazer xixi na parede (todo ano tem campanha na TV pra usar o banheiro no Carnaval, dureza) e tão fácil emplacar um sucesso sem lastro. Um nome sem feito. Um autor sem obra. Eu entendo o sentimento do jornalista. Mas isso não tem NADA com inteligência.
Inteligência nós temos. Estamos mais inteligentes, sim. Basta ver as crianças e sua facilidade de usar o computador. Basta ver tanta gente usando aparelhos eletrônicos. Todas as pessoas do comércio usando terminais de cartão de crédito, computadores, motoristas usando GPS, jovens, velhos e crianças em LAN houses, 20o milhões de brasileiros usando celulares! Sim, estamos MAIS inteligentes.
Ainda falta MUITO, claro. É preciso revolucionar a educação para ter um povo realmente preparado, instruído, culto, informado, civilizado. Como também é preciso ter políticos, policiais mais preparados, instruídos, cultos,informados.
Eu acho que estamos mais inteligentes. E menos pobres. E temos mais ócio. E podemos brincar. E porque podemos estamos brincando muito. Brincando de mexer com a TV, brincando de levantar da poltrona passiva, brincando de falar o que a gente pensa, brincando de democracia. Brincando de poder. Ao mesmo tempo que fazemos mil coisas.
E quem for antigo, linear, mal-humorado  vai ter muita dificuldade de se adaptar.
Porque você sabe, inteligência é isso, adaptação.
Antes de terminar: o sucesso ACONTECEU com Luiza. Não foi uma relação de causa e efeito. Realmente, ela não FEZ nada para 'merecer' o sucesso. As mentes antigas ficam LOUCAS com isso. Porque acham que o mundo é linear e Newtoniano. Não é. É quântico. Indeterminado. Probabilístico. Não tem meritocracia. É tudo assim, ao mesmo tempo, confuso, aleatório.
No mundo antigo e linear, humor era só piada. Estática, passiva. Ari Toledo contava a piada, você ria, ele ficava rico e você feliz. Agora tem meme. Meme não é piada. Meme é articulável. Cada um pega, chuta, brinca, como uma bola. Todo mundo participa. Por isso as pessoas curtem TANTO o meme, porque é uma piada social. Tem gente que não gosta, que não aceita.
Mas é o que temos pra hoje, gente inteligente do planeta Terra.
Bom dia.

Reações:

0 comentários:

Postar um comentário

Atenção!
Ao comentar, escolha as palavras corretas para que seu comentário atinja seu objetivo, expor sua opinião sobre determinado assunto.
Os comentários passaram por moderação da redação e serão publicados, independente do seu conteúdo, caso o comentarista tenha uma identificação válida!
Obrigado por comentar!