sábado, abril 28

Ensinando a pensar: Eleitor consciente, aprenda a votar...

Posted by Jackson Souza on 11:57 | 1 comment
         Durante o período de eleições lemos e ouvimos da parte de um número crescente de pessoas queixas quanto aos rumos do País e à péssima qualidade dos governantes – geralmente corruptos, mentirosos e incompetentes. A maioria desiste: “Não irei mais votar”, “O Brasil não tem jeito” etc.

     
     Em primeiro lugar, devemos admitir que O GOVERNO É REFLEXO DA SOCIEDADE QUE O ELEGE. Os políticos – acredite – não vêm de outro planeta: saem do seio da sociedade. Logo, para que a qualidade dos ocupantes de cargos públicos mude para melhor é necessário que a qualidade do eleitor melhore.
     O pior problema do eleitorado brasileiro é a falta de educação. Não se trata apenas de grau de instrução. Mas de falta de informação e de acesso à informação. O Brasil tem dimensões continentais. A Educação Pública é deficiente e boa parte da população sequer conhece a estrutura do Estado Brasileiro. Não sabe o que é e para que serve a Constituição. Não sabe para que servem Vereadores, Deputados, Senadores… E o que é pior: é alheia à noção de coisa pública.


      Não se trata de problema recente. Muito menos de algo que se possa modificar de imediato. No entanto, é possível mudar, de forma que os resultados dessa transformação sejam sentidos, senão por nós, pelos nossos filhos e netos. Para tanto, devemos começar já.
      “O que fazer?” – muitos se perguntam. Só existem duas formas de ocorrer uma alteração no quadro atual: a dirigida e a espontânea. Uma mudança dirigida aconteceria caso o Poder Público estabelecesse como meta de governo o investimento em Educação, em sentido amplo. A formação de cidadãos críticos, conscientes e capazes para a futura geração, através de uma escola pública e gratuita de qualidade. Ele, o Poder Público, o “Governo” conduziria esse processo. Isso, contudo, não aconteceu. Não está acontecendo. E, ao que tudo indica, não irá acontecer. Aparentemente, interessa ao Poder Público a manutenção da maior parte da população na dependência e na ignorância. A alternativa que resta é a mudança espontânea. Significa a mudança natural, a partir do aprendizado quotidiano da sociedade, através da tentativa e erro. Acontece. Mas demora. Décadas. Gerações. Parece ser nosso caso.

      “Vou repetir a pergunta: o que fazer, então?” – simples. Assumirmos, dentro de nossas limitações, o papel que deveria caber ao Poder Público na informação a todas as pessoas sobre aquilo que é de seu interesse.
      Se todos os brasileiros que dispõe de educação e meios suficientes se prestarem a isso: levar informação a quem não tem – estaremos contribuindo acelerando o processo de aperfeiçoamento de nossa sociedade.


     Às vésperas das eleições que indicarão os futuros Presidente da República, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Senadores, publicamos roteiro que visa a auxiliar na escolha consciente de nossos representantes.
ESCOLHA CONSCIENTE
1º Passo) O Cargo: antes de escolher dentre todos os candidatos disponíveis aquele que, em sua opinião, deverá ocupar um determinado cargo, é necessário compreender qual seja esse cargo: quais suas atribuições e importância. Quem são e o que fazem: Vereador, Prefeito, Deputado Estadual, Deputado Federal, Governador, Senador e Presidente da República?
2º Passo) As Propostas: no que se refere aos candidatos em si, antes de tudo devemos ter em mente que o que iremos escolher não será propriamente uma “pessoa”. Mas um projeto. Assim, o que é mais importante saber, no processo de escolha de um candidato? Suas propostas para o exercício do cargo que ele está postulando. Esse primeiro passo, embora básico, é fundamental. E, por incrível que pareça, ajuda a eliminar, de pronto, boa parte dos candidatos. Por que muitos:
(1)    não têm propostas ou;
(2)    propõem realizações que não são compatíveis com o cargo que almejam. Um vereador, por exemplo, que promete “fiscalizar o Governador”, é ignorante (desconhece o cargo para o qual está se candidatando) ou mentiroso (está tentando se aproveitar do eleitor desinformado). Porque essa função não cabe aos Vereadores.

Suas propostas devem ser:
(3) de acordo com nossas próprias idéias e, principalmente;
(4) viáveis. Um candidato que promete – seja qual for o cargo para o qual concorra – “acabar com a violência” em determinado lugar é também ignorante ou mentiroso. Porque o problema da violência é complexo e sempre existiu. Reduzir a violência é possível, como mostram países mais desenvolvidos. “Acabar com a violência”, não.
Além disso, as propostas dos candidatos devem ser:
(5) específicas. Como assim? Dizer: “irei lutar pela Educação” é fácil. E nada quer dizer. Lutar como? Fazendo o quê? O candidato deveria dizer: “irei lutar pela Educação, propondo aumento de salário para os professores para X, concurso público para ocupar as vagas existentes na Rede Pública” etc.
      Manter contato com o candidato é cada vez mais importante. Ele tem endereço eletrônico? Ele fará uma palestra? Ele aceitaria convite de sua associação de moradores, clube etc.; para expor suas idéias e para responder a perguntas? Excelente! Se você ou o grupo do qual você participa tem a possibilidade de encaminhar propostas ao candidato e obter dele uma posição a respeito delas, aproveite. É assim que deve ser. As idéias do candidato são o que importa. Não sua aparência, idade etc. Não estamos escolhendo um par romântico, um amigo ou o técnico de seu time do coração;


3º Passo) A Coerência: Cientes das idéias dos candidatos, devemos então analisar sua coerência. A correspondência entre o que ele fala e quem ele é. Como assim? Falar é fácil. Mas para saber se o projeto que o candidato apresenta tem chance de ser concretizado por ele, devemos considerar dois pontos:
(1)    seu currículo e;
(2)    seu perfil.
      Como assim? Qualquer pessoa que preencha os pré-requisitos legais pode candidatar-se a um cargo eletivo. E todo o tipo de pessoa costuma fazê-lo. Boa parte não está bem intencionada. Mas, considerando apenas aqueles que têm boas intenções, mesmo esses se dividem em dois grupos: aqueles que SÓ têm boas intenções (e nenhuma condição de transformá-las em realidade) e aqueles que demonstram preparo para fazê-lo.


       O “currículo” do candidato refere-se ao seu passado, tanto no ambiente público quanto no privado. Ele já ocupou algum outro cargo eletivo? Quando? Qual? O que ele fez durante o exercício desse cargo? Quais eram suas propostas? Ele as concretizou? Lutou por elas?
     E em sua vida particular? Qual seu “perfil”? Qual sua profissão? Qual seu grau de instrução? Trata-se de alguém bem-sucedido no que faz? Bom profissional? Responde a processos?
     Conhecer o currículo e o perfil de um candidato é fundamental. Alguém, por exemplo, que foi um fracasso no exercício de seu último cargo eletivo se sairia melhor agora? Alguém que responde a processo judicial ou que já esteve preso ou que está endividado etc.; seria a pessoa indicada para cuidar da aplicação do nosso dinheiro? Outro ponto importante para avaliar a coerência de um candidato é verificar quem está ao seu lado. Se um candidato está sendo apoiado por pessoas que não merecem nossa confiança, desconfie dele. Aquelas pessoas estão apoiando o candidato por algum motivo. Qual seria?

4º Passo) O Voto Consciente: depois que conhecermos o cargo ao qual estão se candidatando; que conhecermos as idéias do candidato. Que analisarmos se estão de acordo com as nossas idéias. Se são viáveis e compatíveis com o cargo pretendido. Que soubermos especificamente como ele pretende concretizá-las. Que verificarmos se ele tem conhecimento e experiência suficientes para defendê-las. E depois que nos certificarmos que as pessoas das quais o candidato está se cercando não comprometem sua credibilidade, estaremos prontos para escolher conscientemente.


IMPORTANTE:
  1. Nosso papel não se encerra com a escolha de um candidato. Após as eleições, seja qual for o candidato eleito para determinado cargo – aquele em que votamos ou não – devemos fiscalizá-lo. Será um tanto trabalhoso. Mas de nosso interesse. Como podemos fazer isso? Conhecendo suas propostas, feitas no período de campanha e conferindo se ele está trabalhando para concretizá-las. Além disso, é de nosso interesse saber se ele cumpre seu horário de trabalho. Se ele faz uso de mordomias. Se ele utiliza o poder e a influência que nós lhe confiamos na defesa dos interesses da população. Ou na defesa de seus próprios interesses… Atualmente, fiscalizar os ocupantes de cargos públicos tornou-se mais fácil. A Internet, a TV e os jornais nos dão acesso a todas essas informações. Muito útil seria anotar de alguma forma os deslizes dos políticos. Isso mesmo! Anote as notícias que lhe chamarem a atenção a respeito dessa pessoa. Amanhã, nas próximas eleições, não votaremos neles. E mais: relembraremos aos demais eleitores daqueles erros cometidos no último mandato;
  2. O último ponto. Após as eleições, não precisamos nos limitar a fiscalizarmos os candidatos eleitosDevemos e podemos reagir diante de qualquer crime ou atitude condenável praticada por eles. Denúnciacampanhasações judiciaisnotificação aos órgãos fiscalizadores são algumas das atitudes possíveis por parte dos cidadãos.


Fontes:
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm
- Tribunal Superior Eleitoral
http://www.tse.gov.br/internet/index.html
- Câmara dos Deputados
http://www2.camara.gov.br/
- Senado Federal
http://www.senado.gov.br/
- Transparência Brasil
http://www.transparencia.org.br/index.html
- Brasil Escola
http://www.brasilescola.com/politica
- Vote na Web
http://www.votenaweb.com.br/
- Cidade Democrática
http://www.cidadedemocratica.com.br/
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Um comentário:

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