domingo, dezembro 21

NACIONAL: Vereadores recebiam "Mensalinho" para apoiar prefeito e sua quadrilha!

Posted by Jackson Souza on 03:40 | No comments

   Desvio de verba, notas frias, compra de apoio político e dentre outros crimes cometidos claramente em Jeronimo da Serra pelo prefeito, vereadores, secretários e parentes do prefeito. Situação e sintomas esses que identificamos facilmente por ser conhecedor e viver situações semelhantes!

Vídeo: 

Matéria:

Prefeitura de São Jerônimo da Serra cria 'mensalinho' para desvio de verba. Todo mês, grupo de vereadores de cidade do Paraná podia pegar até R$ 1.000 em combustível nos postos integrantes do esquema para uso particular.

   A novela "O Bem-Amado", mostrava com humor as falcatruas do prefeito Odorico Paraguaçú na cidade de Sucupira. Não por acaso, "Operação Sucupira" foi o nome dado a uma investigação do Ministério Público que prendeu 18 pessoas de São Jerônimo da Serra, uma cidade do norte do Paraná. Entre as pessoas presas, o prefeito.
A principal acusação contra a quadrilha é desvio de dinheiro público. Por isso o repórter Eduardo Faustini foi a São Jerônimo da Serra perguntar: Cadê o dinheiro que tava aqui?

Tem uma denúncia de corrupção na sua cidade? Envie pra cá!

Na novela "O Bem-Amado", o prefeito corrupto de Sucupira é capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer. A novela era muito divertida. Já o desvio de dinheiro público em São Jerônimo da Serra é que não tem nada de engraçado. A cidade está toda pichada, um ato de vandalismo que mostra a revolta da população contra o prefeito Adir Leite.
“Ele não podia viver com o salário dele? Ele tinha que pegar o dinheiro do povo?”, questiona uma mulher. a pensionista Ana Maria Camargo Rodrigues. 
Quarenta denunciados. 18 presos. Investigar o desvio de dinheiro público é a missão do repórter Eduardo Faustini. Ele é conhecido como ‘repórter secreto’ porque não pode mostrar o rosto na TV.
São Jerônimo da Serra, norte do Paraná. Eduardo Faustini mostra um depósito de carros velhos, que não têm mais condições de rodar.
Mesmo assim, um caminhão que está no local é o campeão de abastecimento no posto de gasolina da cidade. Na realidade, o caminhão nunca rodou.
Entre as falcatruas cometidas em São Jerônimo da Serra, está o uso de um carro-fantasma. Uma sucata, mas, para todos os efeitos, era abastecida regularmente e quem pagava o combustível era o contribuinte. Uma Kombi que nem motor tem também era abastecida no posto.

De carro, que não é fantasma, é de verdade, o repórter Eduardo Faustini mostra como a população de um bairro Terra Nova sofre com a dificuldade para ser atendida na rede pública de saúde e também com a falta de um transporte decente.
Às 3h, faz frio. Mas os pacientes que vivem no bairro não têm escolha. “Vou fazer endoscopia lá em Londrina, na clínica”, diz uma senhora. “Tem que acordar de madrugada e tem que esperar a condução e tem que ir com essa condução”, diz uma outra mulher.
Repórter: A senhora está indo para onde?
Senhora: Para Londrina.
Repórter: Para quê?
Senhora: Dentista.
Repórter: E a única maneira é essa?
Senhora: É, porque dentista-pediatra é lá.
À luz do dia, dá para ver melhor como é por dentro a ambulância que transportou os pacientes de Terra Nova. Um pneu fica em jogado em cima da maca. É a saúde de São Jerônimo da Serra que está doente.
Segundo as investigações do Gaeco, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, o então prefeito Adir Leite empregou a esposa, Silvana, o filho Adicarlos e a noiva do filho, Aline. Essas e outras nomeações formaram a base da quadrilha que passou a mão no dinheiro público.
Uma das formas de desvio de dinheiro público era um "mensalinho" pago pela prefeitura a um grupo de vereadores. Todo mês, eles podiam pegar até R$ 1.000 em combustível nos postos integrantes do esquema para uso particular. Não era para abastecer carro oficial da Câmara.
“Portanto, era dinheiro público, que foi empregado em proveito de particulares, os próprios vereadores, para os interesses deles mesmos”, afirma o promotor Cláudio Esteves, coordenador do Gaeco, Londrina - PR.
Para esconder o esquema, as placas dos carros da prefeitura que estão sucateados é que apareciam na despesa, como se fosse a frota da prefeitura sendo abastecida. Quem autorizava os abastecimentos era Aline Moreira, a noiva de Adicarlos, filho do prefeito.
Em um telefonema gravado com autorização da Justiça, Aline conta ao noivo que está usando essas placas todos os dias: “Todo dia, no final do dia, eu pego umas placas”, ela diz.
Em um outro telefonema, o vereador Amarildo Bueno pede pneus ao prefeito Adir Leite.
Amarildo: Ô, Adir.
Adir: Oi.
Amarildo: Eu estou pensando em um negócio, cara. Você não me arruma uns pneus? Estou andando "por arame", cara.
Qualquer coisa ligada a carro servia para alimentar a corrupção na prefeitura.
“O fornecimento de baterias, peças, troca de pneus. Estes gastos com combustíveis e outros insumos eram colocados na conta do município, embora se destinassem a veículos ou a interesses de particulares ligados aos integrantes da administração”, explica o promotor.
Um dos postos de gasolina do esquema pertence a Fernando Larine. Em depoimento ao Ministério Público, Fernando contou como paga propina ao prefeito. Ele oferece 50% de tudo o que tem a receber da prefeitura.
Ministério Público: Qual foi o acerto que o senhor fez com o Adir?
Fernando: De eu receber total e dar 50% para ele em dinheiro. São 28, mais 36 e mais 26.
Fernando Larine tinha R$ 90 mil para receber e ofereceu R$ 45 mil de propina. Segundo as investigações, o esquema funcionou durante pelo menos quatro meses. Teve de tudo: nota fria, licitação fraudada, produtos superfaturados. Dezesseis empresas envolvidas. Vários empresários se dando bem.
Como Odirlei Nigra, dono de um posto de gasolina e de um supermercado. O valor de todos os contratos que ele tinha com a prefeitura era de quase R$ 2 milhões.
Uma parte desse dinheiro servia para quê? Para pagar propina ao prefeito, seus parentes e protegidos.
Mais um empresário: Sergio Loreto. Ele é fornecedor de merenda escolar. Com contratos, no ano passado e neste ano, no valor de pelos menos R$ 329 mil.
“Eu chamei o Adicarlos, falei assim: ‘ó, Adicarlos, você me ajuda no pagamento, entendeu?’”, ele disse em depoimento ao Ministério Público.
Adircarlos, como sabemos, é um dos filhos do prefeito.
Sergio Loreto: Se você atrasar o pagamento para mim, eu não tenho como pagar o fornecedor, entendeu? Então eu vou dar uma porcentagem para você, 10% do meu lucro.
O ‘repórter secreto’ foi até a empresa dele. A empresa funciona em um quartinho nos fundos de uma casa. No local, o repórter encontra biscoito, açúcar, sopa, tudo no chão, mal armazenado. Com esse desprezo pelos recursos públicos, quem sofre, claro, são os mais fracos, justamente os alunos da escola que recebe a merenda.
“A gente só toma chá e bolacha, todos os dias”, contam duas alunas.
E as condições da escola?
“A sala fica toda molhada. Quando faz sol, fica muito quente”, conta uma das alunas.
A aluna como seria uma escola ideal para ela. “A escola boa tem que ter cobertura, pátio, teto bom, para não pegar chuva da sala. Lanche bom, carteira nova. Quando a professora tiver passando no quadro, não ficar caindo água, porque é ruim, quando nós estamos estudando, ficar chovendo aqui dentro”, diz outro aluno.
Depois das investigações da Operação Sucupira, o prefeito Adir Leite e três vereadores foram afastados do cargo. O esquema continua sendo investigado.
O Fantástico tentou falar com o prefeito. Ele não quis receber o repórter. Mas o promotor do caso recebeu a reportagem. E o Fantástico perguntou a ele: ‘Cadê o dinheiro do município de São Jerônimo da Serra?’.
“Esse é o nosso principal objetivo, além da punição às pessoas que praticaram esses delitos, é a obtenção da devolução desses recursos. Então, se não devolverem, efetivamente, o próprio dinheiro desviado, vão ter que arcar com a resposta pelo patrimônio que possuem”, respondeu o promotor.
O ‘repórter secreto’ vai continuar na luta para mostrar que o dinheiro público roubado, seja muito, seja pouco, faz falta a quem mais precisa. E isso tem que acabar.
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